As bets vão voltar? Por enquanto, a resposta é não
Não há data para as bets voltarem. Veja o que STF e Congresso analisam sobre a MP 1.394/2026 e por que sites ainda no ar são ilegais.

Resumo rápido
- Até 20/10/2026, nenhum ato oficial indica a volta das bets.
- O STF só deve analisar os pedidos de suspensão quando terminar o segundo turno.
- O Congresso tem 120 dias, contados de 25/09, para votar a MP 1.394/2026.
- Sites que aceitam apostas de brasileiros hoje operam sem autorização.
Não, pelo menos por ora. Até 20 de outubro de 2026, nenhum ato oficial indica que as bets vão voltar. A Medida Provisória 1.394/2026 foi assinada pelo presidente Lula em 25 de setembro e passou a valer no mesmo dia. Ela proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa (Agência Brasil). O Supremo ainda não analisou os pedidos contra a medida. O Congresso também não votou o texto.
O próximo marco do calendário aponta na direção contrária a uma volta. No domingo, 25 de outubro, perdem a validade as autorizações das 85 empresas que tinham licença, donas de cerca de 180 marcas. A data corresponde a 30 dias após a publicação, segundo o Senado Notícias.
Quem decide se as bets vão voltar
Há dois caminhos capazes de alterar a proibição. Nenhum deles tem resultado conhecido.
- Supremo Tribunal Federal: pode suspender a MP de forma provisória, a pedido das entidades do setor.
- Congresso Nacional: precisa aprovar a medida em até 120 dias a partir de 25 de setembro. Se isso não acontecer, ela caduca (JCAM).
Os dois caminhos não se excluem. Uma eventual liminar do STF não dispensa o Parlamento. Deputados e senadores continuam obrigados a votar a MP ou a deixar o prazo vencer.
Quem quer saber quando, afinal, as bets vão voltar deve acompanhar essas duas frentes. Anúncios em redes sociais não servem de referência. A sequência completa de datas está na linha do tempo da proibição.
O pedido das entidades no Supremo
Duas organizações levaram a disputa ao tribunal: a ANJL (Associação Nacional de Jogos e Loterias) e o IBJR (Instituto Brasileiro de Jogo Responsável). Segundo o iGaming Brazil, elas apresentaram dois pedidos:
- Principal: congelar os efeitos da MP até a realização de nova audiência pública sobre o tema.
- Alternativo: manter a operação das empresas autorizadas até 31 de dezembro de 2026.
O governo reagiu. Em 6 de outubro, a Advocacia-Geral da União defendeu no STF que a proibição siga valendo. O ministro Luiz Fux havia pedido que a AGU se manifestasse sobre a liberação (Agência Brasil).
Fux é o relator do caso. A mesma reportagem do iGaming Brazil, de 19 de outubro, informa que ele deve examinar o tema só quando terminar o segundo turno eleitoral. Daí vem a dúvida se as bets vão voltar só depois das eleições. O calendário indica apenas quando sai a primeira manifestação do relator. O conteúdo dela não é conhecido.
Também importa entender o tipo de decisão em jogo:
- Cautelar: é provisória e diz se a proibição continua aplicada enquanto o processo corre.
- Mérito: é o julgamento definitivo no STF sobre as bets. Não existe previsão de data para ele.
Uma comissão que ainda não se reuniu
No Legislativo, o andamento é lento. Toda MP passa por uma comissão mista de deputados e senadores, que vota um parecer. Depois, o texto segue para o plenário da Câmara e, em seguida, para o do Senado.
O retrato até 20 de outubro, com base no JCAM:
- O colegiado foi designado em 30 de setembro.
- Desde então, não houve reunião, e relator e presidente seguem indefinidos.
- O período para emendas fechou em 13 de outubro, com 94 sugestões de mudança.
Essas 94 emendas são apenas propostas. Elas só entram em vigor se a comissão e os dois plenários as aprovarem. Até lá, vale o texto original assinado em setembro.
A campanha eleitoral também pesa. A expectativa de acordo para instalar a comissão foi adiada para depois do primeiro turno. A votação corre o risco de só acontecer em fevereiro de 2027, passado o recesso. Há ainda um detalhe político: os parlamentares eleitos em 2026 tomam posse em 1º de fevereiro de 2027. A palavra final pode caber a uma composição diferente da atual.
O cidadão não vota em medida provisória. Quando o Senado abre consulta pública, ela aparece no portal e-Cidadania. Os passos da tramitação estão em votação da MP no Congresso.
O que muda em cada desfecho
Não fazemos aposta sobre o resultado. As regras permitem descrever o efeito de cada possibilidade:
- Liminar concedida pelo Supremo: as bets autorizadas poderiam reabrir enquanto a decisão estivesse em vigor.
- Aprovação sem alterações: a proibição se transforma em lei definitiva.
- Aprovação com emendas: a proibição permanece, mas com as regras ajustadas pelo que passar.
- Prazo esgotado sem votação: a MP caduca.
Em qualquer hipótese, nada muda antes de uma decisão oficial. Também não há previsão de que saldos antigos reapareçam nas plataformas caso alguma delas reabra. Esse dinheiro está sendo devolvido pelos bancos e, nos casos pendentes, pela Caixa Econômica Federal.
Sites que seguem no ar são bets ilegais
Os sites e aplicativos das empresas licenciadas saíram do ar em 6 de outubro. Desde então, muitos endereços das bets bloqueadas passaram a redirecionar para brasilsembets.gov.br, página do governo federal sobre a proibição (JD1 Notícias; Agência Gov).
A proibição alcança também empresas sediadas no exterior que aceitam apostas de pessoas no Brasil (Agência Brasil). Quem continua recebendo apostas de brasileiros faz parte das bets não autorizadas. Na prática, isso significa:
- nenhuma garantia de saque;
- nenhuma regra oficial de devolução;
- CPF, documentos, selfie e dados bancários fora do alcance da fiscalização brasileira;
- nenhum órgão no país para receber reclamação.
Alguns problemas também não dependem do STF. Em agosto de 2026, a Secretaria de Prêmios e Apostas suspendeu 14 sites, entre eles a Pixbet. O motivo foi a falta do sistema obrigatório de monitoramento de apostadores em situação de risco (Seu Dinheiro). A Pixbet também está entre as oito empresas que a AGU leva à Justiça por não enviar aos bancos os dados dos saldos (CNN Brasil; Focus). As duas questões são independentes da MP. Elas continuariam valendo mesmo com uma suspensão. Mais detalhes na página da Pixbet.
Circulam ainda frases como "MP das bets caiu" ou "STF libera bets". Antes de acreditar, faça três perguntas:
- O texto aponta uma decisão do Supremo, uma votação no Congresso ou um ato do governo?
- Existe link para veículo oficial ou para imprensa reconhecida?
- A data é recente?
Se a resposta for não, trate como boato. O mesmo vale para anúncios de "tigrinho liberado", tema explicado em jogo do tigrinho proibido.
Perguntas frequentes
As bets vão voltar ainda em 2026?
Não há data definida. O pedido alternativo da ANJL e do IBJR prevê operação das empresas autorizadas até 31 de dezembro de 2026, mas isso depende de decisão de Luiz Fux. Mesmo que ele aceite, a medida seria provisória até o julgamento final.
Alguma decisão já derrubou a MP das bets?
Não. Até 20 de outubro, o Supremo não havia decidido os pedidos de suspensão, e Câmara e Senado não haviam votado o texto. A MP das bets ainda pode cair por dois motivos: uma liminar ou o fim dos 120 dias sem votação. Nenhum dos dois ocorreu.
Se o Supremo suspender a MP, qualquer site poderá operar?
Não. O cenário descrito é a reabertura das empresas que tinham autorização. Plataformas sem licença continuariam entre as bets não regulamentadas. Punições separadas, como a suspensão aplicada à Pixbet em agosto, seguiriam valendo.
Preciso esperar o STF para receber o saldo que ficou na bet?
Não. A devolução corre por fora da disputa judicial. As empresas enviaram os dados aos bancos, que creditariam os valores entre 9 e 14 de outubro. Os casos pendentes passam para a Caixa (Agência Gov). O roteiro está em como sacar dinheiro das bets.
Por que ainda encontro sites de apostas funcionando?
Porque há operadores que ignoram a proibição. Desde 6 de outubro, qualquer site que aceite apostas de pessoas no Brasil é uma das bets irregulares. Quem joga nesses sites corre o risco de perder dinheiro sem ter a quem recorrer.
Fontes
- Agência Brasil — MP proíbe bets e determina devolução de saldo
- Agência Brasil — Fux pede manifestação da AGU
- Senado Notícias — Encerramento das operações em 30 dias
- JCAM — MP do fim das bets recebe quase 100 emendas
- iGaming Brazil — Fux deve decidir após o segundo turno
- Agência Gov — Obrigações das empresas após a proibição
- JD1 Notícias — Sites de bets começam a sair do ar
- Seu Dinheiro — Governo suspende 14 sites de apostas
- CNN Brasil — AGU acionará 8 bets por falta de dados
- Focus — AGU aciona Justiça contra 8 empresas de apostas
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